26
Mai
11

o espetáculo terminou!

Daí o Sr.Palhaço do circo sem futuro acreditou mesmo que pudesse viver o passado no presente e com isso mascarar o presente para o passado ter futuro.Ele só esqueceu que o MÁGICO do circo não era ele e que quando um espetáculo acaba, o bom mesmo é receber aplausos e não vaias.

Maria estava assistindo ao espetáculo, afinal ela agora tinha tempo livre.Ela levou outro tiro no pé e decidiu abandonar o emprego, pois se antes estava difícil dar conta de tudo sozinha, como iria fazer tudo mancando?

Quanto ao tiro no pé, ela confessa a intensidade da dor no momento, mas  se mostra completamente à vontade com as moletas. E brinca dizendo que nunca ouviu falar sobre alguém que deixou de andar por causa de mais um tiro no pé, ao mesmo tempo que confessa a intensidade da dor no momento do disparo. Se dois raios não caem no mesmo lugar, ela alerta que dois tiros acertam sim o mesmo pé. Cuidado!

Eu acredito que tudo isso aconteceu porque Maria esqueceu de agradecer pelo Milagre das Mil Lágrimas. Desprezou o poder divino querendo ver pra crer . E garanto que viu e não gostou.
Mas mesmo decepcionada com o espetáculo do Sr.Palhaço do circo Sem Futuro, mesmo se recuperando do segundo tiro no pé,mesmo desempregada, mesmo tendo desafiado o poder do milagre… de uma coisa Maria tem mais certeza do que antes:

 Ela tem é MUITA SORTE  .

//Maria fecha as cortinas// (Afinal, tem sempre um novo espetáculo em cartaz!)

11
Dez
10

-Há uma vaga!-

 

É como cansar de dirigir, mesmo nunca tendo guiado um carro durante mais de uma hora. 

É como ser a única com obrigação de remar em um bote com dois passageiros.

É correr por dois, qndo vc é apenas um.

É sofrer por dois, qndo apenas um sofre.

É sentir raiva por dois,enquanto o outro nem se inquieta;

Maria aprendeu a guiar apenas uma vida. Afinal, foi exatamente isso que aprendeu que lhe pertencia: UMA vida.

Mas agora ela se via diante de atividades pertencentes a duas.E agora?

Maria está cansada.

Acúmulo de atividades resulta em estafa. Neste caso, em estafa sentimental.

Acúmulo de funções é proibido pela Constituição Federal.

E Maria não recebeu adicional noturno durante esses 10 meses, sendo seus maiores serviços prestados na calada da noite.

Sem falar do adicional de insalubridade.Maria nunca nem ouviu falar.

Apesar de tudo, Maria gosta demais do que faz, ela só não aguenta mais fazer sozinha.

Maria está precisando ‘do’ ajudante.

Maria abre UMA vaga ou pede demissão??

02
Nov
10

-Quando quem dispara é o atingido-

É a isso que chamam de “dar um tiro no próprio pé”.

E não tem coisa pior do que um tiro no pé. Massacra aos poucos, te deixa impossibilitado de dar um passo sem que seja um sacrifício. É uma dor chata, que por mais que saibamos que não vai matar, não a torna menor.

Quando pequena, Maria foi educada para sempre falar a verdade, caso contrário, seria colocada de castigo. E agora se encontra de castigo por ter falado a verdade.

Isso é confuso…hein, Maria?  O tiro foi na cabeça ou no pé?

26
Set
10

“A cada mil lágrimas, sai um milagre…”

Cresceu ouvindo que Deus criou o mundo em 7 dias e 7 noites.Deus foi capaz de criar. Ela foi capaz de destruir…Não o mundo, mas um amor.

Não tinha aspirina, doril, paracetamol,sonrisal,nem gelo que fizesse a dor diminuir.Mas ela sabia que precisava chorar.Chorou 7 dias e 7 noites,respeitando apenas o horário comercial.

Maria foi  forte das  8h às 12h e das 14h às 18h.

As noites não eram mais para o sono, eram para o choro.

Os dias eram escuros, mesmo com uma temperatura de 38 graus.

Maria se permitiu.Se permitiu a sofrer.Se permitiu a entender cada lágrima que insistia em cair.Incorporou o papel de “vítima” muito bem dessa vez. Sofreu sozinha.Cada sorriso era chapliniano.Cada alegria era um disfarce.Afinal, ninguém tinha nada a ver com aquela dor.

Foi menina em casa dentro de um quarto escuro.Foi mulher na rua e no trabalho.

Ela sabia que o mundo não ia parar para que ela se reerguesse,afinal o mundo nunca fez isso.Se ela fosse dormir mal, o sol voltaria a nascer no dia seguinte sem o menor peso na consciência.

Mas mesmo assim, ela decidiu sofrer.Curtiu o luto.Chorou bastante.Achou por alguns instantes que NUNCA mais sentiria aquilo novamente por outra pessoa,mas  a sua memória trouxe à tona algumas lembranças que  acabaram com este pensamento em questão de segundos.

Maria recusou todos os convites para sair.Dormir era o seu melhor programa, era a garantia das suas horas em paz sem pensar.

A dor agora era dor de gente grande.Palavras e conselhos não surtiam efeito nenhum.A verdade não era mais mascarada.Maria até tentou não ver, mas era impossível não querer entender o que estava gritando ao seu ouvido.Dessa vez o pedido de Maria foi outro.Ela decidiu não sentir mais aquela dor.Antes ela gostava, acreditava que era melhor ter por quem sofrer a não sofrer por ninguém.

A dor, que antes era bem vinda, agora era aquele tipo de visita que a gente reza pra ir embora.

Maria levantou para duas coisas:

1-      Colocar a vassoura de cabeça para baixo atrás da porta;

2-     Procurar no closet a sua couraça de Mulher madura.

Era como se estivesse vendo um filme e a luz do cinema acendesse, o que traz a mensagem implícita de que é hora de  ir embora.

A luz do cinema acendeu e Maria saiu.Um pouco zonza, mas saiu.

E foi aí que ela passou a entender a importância das crises.Entendeu que as crises não aparecem com a única intenção de nos fazer chorar  horas e horas trancadas dentro de um quarto escuro.Elas existem para que possamos perceber o que está funcionando de forma errada…Se a alavanca tá muito pra cima, tá muito pra baixo…Se o freio não tá funcionando…Se o motor tá fraco…

A gente precisa bagunçar todo o guardarroupa antes de arrumar.Então, a crise vem pra bagunçar, para buscar “i” pra botar ponto.

Afinal de contas,a  criança precisa cair quando está correndo para entender que não se deve correr daquela forma.

A gente precisa cortar o dedo para entender que a faca está amolada;

A gente precisa ter ressaca para entender que não se deve beber tanto;

A gente precisa sofrer para entender.

Maria precisou sofrer para crescer.

Maria,agora vestida de Mulher.

12
Mar
10

-O casal do circo “sem” futuro-

Como se o “amanhã” passasse de substantivo masculino para advérbio de dúvida.

Tão incerto quanto atirar no escuro.

Tão bom quanto ouvir James Blunt na casa da avó no interior.

Tão maluco quanto percorrer trocentos quilômetros de moto para um destino incerto.

Tão gostoso quanto pipoca com brigadeiro e oito Bono”s” no microondas.

Tão certo quanto dizer que “saudade dele” é pleonasmo, pois se é saudade, lógico que é dele.

E ao mesmo tempo tão certo como o sol está para a praia.

É…tão louco quanto as minhas palavras mostrarão ser por aqui.

E forte!Ahh, como é forte.

Não sei dizer ao certo o dia que iniciou, tenho dúvidas.Conheci há pouco tempo, mas é aquele clichê que me força a dizer que “parece que te conheço há anos”.E esta mesma força que me faz querer tanto o que parece ser tão meu.E nada mais normal do que querer o que é meu.

Só não sei qm disse que é ou será.Mas isso pouco importa agora.

Sinceramente, isso é o que menos importa neste momento.Só a saudade, a vontade, as conversas,as loucuras compartilhadas, isso já vai alimentando a minha fome de presença.Mas sei tbm que não por muito tempo.

Mas “por muito tempo” pressupõe  futuro…e isto aqui é proibido!

Aqui é PROIBIDO PENSAR!

É ALTAMENTE PROIBIDO PENSAR NO FUTURO.

É PROIBIDO querer saber o que não nos cabe agora.

E mais proibido ainda é não deixar essa história chegar onde ela tem que chegar.Só não me pergunte onde é, pq eu não posso pensar onde isso tudo vai parar.ESTOU PROIBIDA!

Nem a minha pretensão global que sempre sugere um final típico de novela das oito foi liberada para se manisfestar.

A regra volta a ser: “PENSAR, NEM PENSAR!”

E assim eu vou acordando a cada dia com um sorriso de orelha a orelha,coração a 89348837 bpm,hiper hidrose aguçadíssima com a volta das borboletas e uma cara de boba.E de fato, só uma boba que não sabe das coisas.Mas uma boba consciente de que não procurar saber, neste exato momento, é a certeza da sua felicidade.Boba, por opção própria.E que boba feliz!Prazer, sou a boba feliz.Aquela que se apaixona pelo palhaço do circo sem futuro.

Afinal de contas, quem não quer pensar no futuro tampouco se incomoda se ele existirá.O palhaço parece sim ser um ótimo acompanhante.Afinal, é assim que fazem nos circos.Sairemos sem destino, desde que estejamos juntos.Seguiremos sem pensar.Partiremos por aí.

E é com um pé após o outro que se faz uma caminhada.E eu pretendo ir longe, mas não posso pensar no destino ainda.

A única coisa que sei é que não ficarei aqui.Estou caminhando com as minhas próprias pernas, mas te vejo ao meu lado.Não quero que me guie, quero apenas que venha comigo.

”Não precisamos saber para onde vamos.Nós só precisamos ir…Estamos vivos e é só!…”

08
Mai
09

Você vem sempre aqui??

As palavras tropeçam como se estivessem em cima de um salto 15.Nessas horas as mãos viram apenas adereços, melhor seria se elas não existissem naquele momento, pois assim não perderíamos muito tempo pensando onde botá-las.É um  tal de amarrar o cabelo, abrir trocentas e quarenta e seis vezes a bolsa,mexer no celular e rezar uma três Ave-Maria para alguém te ligar naquele exato  momento.A boca já não obedece mais aos seus comandos, quando vc se dá conta já respondeu às perguntas sem mesmo lembrar das respostas que deu.É o início de um verdadeiro descontrole.É um fim de uma agonia de dias.E parece mesmo que é a primeira vez que aquele encontro está acontecendo.

O estômago começa a enviar para o cérebro a mensagem de que está havendo algo estranho.Parece que o estômago foi invadido por uma nave entupida de borboletas desequilibradas,as quais utilizam do espaço vazio (bastante vazio, pois fiquei sem comer o dia todo para aparentar mais magra) para fazer um verdadeiro rebuliço.

As mãos desnecessárias no início parecem agora ganhar utilidade, já se esforçam para ajudar junto à alguma parede o equilíbrio das minhas pernas.A desculpa será sempre de que “tive um dia exausto, podemos sentar em algum lugar?”.Minhas pernas não conseguiriam me sustentar durante mais alguns minutos,garanto!

A mente trabalha o dilema “será que eu estou fazendo a coisa certa?” “Será que eu deveria ter esperado mais um pouco?”, e é só o começo de uma guerra entre o racional e o emocional.Tento me concentrar num exercício de relaxamento qualquer.Mas a tentativa é inútil, nada, eu disse NADA, me relaxaria ali.O racional ganhou a guerra e imediatamente começou a me enviar mensagens negativas de que aquilo era um absurdo, que eu não deveria mesmo estar ali e que eu era uma idiota.Tá bom!!A parte de que eu era uma idiota foi a única coisa que eu concordei com ele, pois quem me olhasse naquela hora saberia que eu não parecia com mais nada além de uma idiota.Apenas uma idiota tem cara de idiota.Minha cara era de idiota.Só uma idiota fica sem jeito como eu fiquei.Só uma idiota chama alguém pra conversar e não sabe o que vai conversar.Só uma idiota não consegue entender o que se passa dentro dela mesma.Definitivamente, EU SOU UMA IDIOTA!Tá bom!!Chega!

A conversa não era sobre o tempo, mas eu não resisti a falar sobre o frio.Era melhor falar do frio do que não falar.E eu precisava exercitar a mandíbula para não paralisar diante de tamanha tensão.

A minha maior raiva não era parecer uma idiota.A minha maior raiva era ver que ele não estava parecendo um idiota.Ele respondia às minhas perguntas como se estivesse conversando com o irmão na sala de casa, sem formalidade e sem medo algum de gaguejar.Já eu??Eu parecia mesmo estar precisando marcar uma consulta com o fonoaudiólogo. Não parava de gaguejar.Minha raiva só perdeu em tamanho para o meu medo de que esse comentário saísse da boca dele.

Um verdadeiro terremoto acontecia dentro de mim e eu não via ninguém que pudesse se responsabilizar pelos danos que ele deixaria.Só de pensar que eu busquei aquela situação já me fazia esquecer o medo e deixar a raiva com a maior intensidade na graduação de sentimentos dentro de mim naquele momento.

O sorriso tranqüilo dele deveria me acalmar, mas me irritava.NOSSA, nunca pensei que aquele sorriso pudesse me irritar um dia, mas me irritava muito.Eu disse MUITO. Como ele podia sorrir tão tranquilamente diante daquele episódio??Eu estava na frente dele querendo conversar e ele não mostrava qualquer tipo de reação que expressasse ansiedade, o sorriso dele era TRANQUILO. MEU DEUS, ELE SORRIA CALMAMENTE enquanto eu me acabava em tensas tentativas de iniciar o assunto .Assunto??Qual assunto ? ?

Eu nem sabia o que eu queria com ele ali.Talvez eu soubesse, só não conseguia expressar isso pra mim mesma.Talvez olhar  ele durante aqueles poucos minutos,observar cada linha de expressão do seu rosto, cada piscada natural de olhos, cada gesticulação que ele viesse a fazer…Talvez esse fosse o assunto pelo qual me fez convidá-lo para aquela “conversa”.Eu precisava mesmo saber se ele era de verdade,se ele existia e não iria voltar para o “mundo longe” dele por agora.Saber também se ele aparecia muito por essas bandas de cá do espaço.Precisava mesmo saber se ao abraçá-lo ele não iria evaporar e  fazer com que meu abraço fosse em mim mesma.Na verdade o assunto existia e era de grande importância, digamos que de EXTREMA urgência.Na verdade eu precisava mesmo saber se ele respirava como todo mundo,pois cresci sabendo que anjos não respiram.




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